brincadeira

À minha frente, um jovem, talvez com vinte ou vinte e um anos, olha-me de soslaio. Enquanto penso no anúncio dos Gato Fedorento – “o que tu queres sei eu” – o jovem levanta-se, atravessa pelo meio de um grupo de adolescentes ruidosos, e senta-se a meu lado. Abre um livro e, lá dentro, o papel que marca a página avisa em letras garrafais um número de telemóvel. “O que tu queres sei eu”. Resolvo entrar na brincadeira e finjo apontar o número no meu telefone. Ele sorri e tosse ligeiramente. Próxima estação: Anjos. O rapaz levanta-se e, embora este não seja o meu destino, sigo-o. Noto que ele está ligeiramente desconfortável. Sai da carruagem e e eu continuo a segui-lo. Ele olha para trás e apressa o passo. Já na rua, uma rapariga vai ao seu encontro e beija-o. Cruzo-me com eles, sorrio e oiço a rapariga perguntar-lhe: “O que tens, amor?” Dou a volta e regresso ao metropolitano. Adoro brincadeiras.

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